domingo, 25 de maio de 2014

Biscoito da sorte

Nosso biscoito da sorte dizia:

"Uma pessoa pode não sorrir e, no entanto, estar alegre, porque sua mente está satisfeita, nada buscando lá fora."

Hoje já não sei o que diz o seu biscoito.
Talvez ele não seja capaz de dar qualquer mensagem por enquanto. Isso é natural.
Mas escute-me um pouco: isso vai passar.

Acho que aquela mensagem do nosso biscoito encaixa-se bem em mim nos dias de hoje.
Mas não exatamente hoje. Hoje minhas lágrimas misturam-se com a chuva.

Hoje eu percebi o que busco. E só posso fazer isso sozinha.
Só preciso de menos lágrimas e um pouco mais de coragem.

Mas hoje não. Hoje meu biscoito silencia.
Aproveitei para olhar os cães que passam.
Você tinha razão: isso me faz feliz...

Aquele homem, empregado do Estado

Aquele homem é um empregado
Que veste um uniforme vistoso
Que carrega consigo alguns artefatos
Que anda em grupos que impõem respeito

Mas eu conheço outros empregados
Fardados
Equipados
Agrupados

Eles são diferentes
Apenas trabalham
Até acenam para nós
E voltam para casa no fim do dia

Mas aquele homem
Também volta para casa
Mas o que será que pensa
Quando se deita em sua cama?

A diferença entre aquele homem
E os outros empregados
É que aquele homem já não sabe mais quem é
De tão Estado que se tornou

O Estado é sua casa
O Estado é sua mãe
O Estado é seu filho
O Estado é sua vida

Defendo casa, mãe, filho, vida
Mas nunca me obrigaram
Defendo porque (penso que) sou livre
Aquele homem não parece livre

Mas ainda assim tira a liberdade alheia
É preparado para proteger o Estado
Estado que não precisa mais do povo
Ou melhor: do povo-estorvo, pobre povo

Aquele homem cumpre dois papéis peculiares:
O de proteger o Estado rico
E o de ser apenas aquele homem
Em estado de humanidade

Humano quando volta para casa
Quando se deita em sua cama
Quando se lembra de sua desumanidade
E quando pede perdão por apenas cumprir ordens

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sobre tardes e vontades

Pouquíssimos homens marcaram minha vida. E eu sempre desejei aqueles que amei. Mas a partir de algum momento eu passei a distinguir o desejo do amor.

E hoje eu desejo. Muito. Eu não amo quem desejo; eu amo o desejo que me pega desprevenida numa tarde movimentada, que me desliga por instantes e me nocauteia.

Eu amo o desejo de sentir seu corpo contra o meu, seja num leve abraço ou contra a parede enquanto me beija com vontade.

Eu amo a liberdade de imaginar o caminho de suas mãos, que me apertam, me acariciam e me conduzem a novas sensações. Assim como o caminho da sua boca, que já não mais pertence a minha, mas sim ao longo trajeto do meu corpo...

Amo o desejo de fitar seus olhos, e penso se sentiu o mesmo quando encontrou os meus naquela tarde - uma tarde tão comum...

Nada substitui nossas boas conversas. Mas eu amo ser livre pra desejar.

E haja lábia para dizer "não se sinta especial" para todos que me permitem desejá-los...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Segundos

Poucas coisas fazem com que me sinta tão viva quanto segundos.

Sim, segundos. Segundos que antecedem uma decisão certa, um impulso de liberdade, uma entrega às minhas vontades mais secretas.

Tenho utilizado muito bem os meus segundos.

E mal posso esperar para tomar novas decisões...

Pequeno sonho

Você dizia
"Parece estranho"
(Que sonho)

Eram poucas luzes
E outros olhares
(Não acorde agora)

Surgiu tão próximo
E tão real
(É real)

Não vá agora
Esperei tanto
(É como imaginei)

Desejos contidos
Acordo triste
(Volte sempre...)

Personagem

Há uma figura, uma sombra
Não sei dizer ao certo
Mas ela tenta falar
E não encontra palavras

Há uma personagem
Que tenta ser interpretada
De qualquer maneira
Nas sombras da minha vida

Há sombras na minha vida
Que eu ainda não decifrei
Assombra-me, essa sua presença
Sombra que me cega

Por que não tenta?
Ajude-me a ver
Deixe-me ouvir suas palavras
Ver seus becos de luz

Há uma personagem
Que não vem à luz
Que não protagoniza
Uma história ao meu lado

Sufoca-me
Tal fato
De não saber
Explicar