domingo, 25 de maio de 2014

Aquele homem, empregado do Estado

Aquele homem é um empregado
Que veste um uniforme vistoso
Que carrega consigo alguns artefatos
Que anda em grupos que impõem respeito

Mas eu conheço outros empregados
Fardados
Equipados
Agrupados

Eles são diferentes
Apenas trabalham
Até acenam para nós
E voltam para casa no fim do dia

Mas aquele homem
Também volta para casa
Mas o que será que pensa
Quando se deita em sua cama?

A diferença entre aquele homem
E os outros empregados
É que aquele homem já não sabe mais quem é
De tão Estado que se tornou

O Estado é sua casa
O Estado é sua mãe
O Estado é seu filho
O Estado é sua vida

Defendo casa, mãe, filho, vida
Mas nunca me obrigaram
Defendo porque (penso que) sou livre
Aquele homem não parece livre

Mas ainda assim tira a liberdade alheia
É preparado para proteger o Estado
Estado que não precisa mais do povo
Ou melhor: do povo-estorvo, pobre povo

Aquele homem cumpre dois papéis peculiares:
O de proteger o Estado rico
E o de ser apenas aquele homem
Em estado de humanidade

Humano quando volta para casa
Quando se deita em sua cama
Quando se lembra de sua desumanidade
E quando pede perdão por apenas cumprir ordens

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