quinta-feira, 26 de junho de 2014


Não mais eu

Descubro fotos antigas
Veja que sorrisos!
Mas a menina
Não está mais aqui

Poemas de outrora
Tão inspiradores!
Mas a poetisa
Desaprendeu a escrever

Hoje ela segue pelos cantos
Já não canta como ontem
Como antes já não dança
Densa e apagada caminha

Becos da alma
Segue seu rumo
Escreve seu nome
Signo errante

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Desacelera

Se acalma
Que o vento da alma
Toca na palma
E segue feliz

Desacelera
Que a canção espera
Porque ela não tolera
Pressas infantis

Encosta
No meu peito e aposta
Que se eu me ver disposta
Eu não torço o nariz

Descansa
Porque nessa dança
É melhor ser criança
Do que ser infeliz

Paciência

Entreguei-me à paciência.
Alguns acontecimentos precisam dela, clamam por ela. E visto que alguns acontecimentos da minha vida estão cada vez mais repetitivos, é porque estou falhando em algo.

Minha falha é querer tudo, e querer já. Muitas vezes esqueço que dessa vida não levaremos nada. Perco um tempo inestimável com coisas que não valem a pena, com pessoas que são passageiras - ah, sim, e esqueço, principalmente, que ser passageiro não é algo ruim. A vida, basicamente, é sobre isso: passagens. E passagens pedem paciência.

Meu amor é livre e não cria raízes. Mas mesmo assim, ele ainda não sabe que é livre para caminhar. É um bebê que ainda não aprendeu a andar sozinho. E para qualquer aprendizado, a paciência é requerida.

Também conheço quem precisa dela. Como eu disse, a questão da vida é sobre passagens. E assim como alguns passam por mim, eu passo por outros. Quero, mais do que nunca, que esses outros cultivem tal paciência.

Então, a vida continua para todos. É o que estou tentando ensinar a mim mesma. Há quem tente me empurrar alguns ensinamentos pelo fato de eu estar mais perto dos 20 anos... Mas eu adoraria que os que estão mais perto dos 30 também me ouvissem. Não há idade para dificuldades, dramas ou sentimentos. O que há, na verdade, são muitas passagens, inúmeros aprendizados e, infelizmente, pouca paciência.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

No final das contas

E no final das contas
Não fui percebida
De nada valeram meus cuidados
Estar ao lado foi ser sombra

E no final das contas
Sou vencida por outro sorriso
Por algumas palavras rasas
Por uma jovialidade que já não possuo

Eis que corto pela raiz
A flor que nascia tímida
Pois não há terra que sustente
Um crescimento tão desprezado

Atribuíram todos os nomes
Amizade, amor, desespero
Mas mal tive tempo de descobrir
Pois não se conquista terra dominada

E no final das contas
Eu agradeço pelos poucos momentos
E desejo que encontre
Uma boa companhia para os maus dias

Uma companhia que ofereça mais
Mais atenção, mais diversão, mais tesão
Que tenha o mistério e os desafios que gosta
E que seja bela, no final das contas...

Madrugadas

Me perco em meus próprios sentimentos de ternura. Infelizmente, é algo que venho sentindo sozinha, mas isso não me incomoda... Não a ponto de parar de sentir.

Os dias têm sido generosos comigo: tenho aproveitado o tempo com bons amigos e conhecido novas pessoas interessantes. Mas as madrugadas, ultimamente, têm trazido diferentes sensações que, por mais que carreguem a tristeza da solidão, transmitem certa serenidade para cada parte do meu corpo.

Há algo nascendo que eu ainda não consigo denominar. Não é nada demais. Estou certa de que a tristeza me seduz; ela me permite ser quem eu quiser, sem precisar me importar com plateia. Mas tem sido uma tristeza tão serena, talvez até necessária.

Estou triste pelo fim de algo que nem sequer poderá começar, porém conformada e perdida em pensamentos carinhosos; são quase abraços que dizem "é melhor assim". Eu sei que é, mas... Enfim...

Volto-me para meus sentimentos de ternura, que são os mais belos frutos da minha suave solidão. Que madrugadas...

Sopro de palavras

Há vento em suas palavras
Um leve sopro, quase uma dança
Vento que afasta o significado
As intenções
E as certezas

São palavras que viveram
Mas que hoje seguem cansadas
Palavras que trazem certo saudosismo
Certo respeito
E certa desistência

Tantas pessoas similares conheci
Mas as palavras delas não dançavam assim
Sua dança carrega quem você é
Quem você foi
E quem você (não) conseguirá ser

Escolhas vazias

É como se não houvessem palavras para traduzir o que sinto agora. Eu realmente não acho que há.

Não é nada muito complexo, apesar disso. Todos já enfrentaram escolhas difíceis e ficaram com a sensação de que, depois disso, a vida não te daria novas chances de escolha. Ou pior: que você teria que escolher toda vez pelo "não, eu não posso fazer isso".

E fica um vazio imenso. Um vazio que você pensou que superaria ao tomar boas decisões.

Não há tais coisas como boas decisões. A vida é apenas um conjunto de atos que servem para dar prosseguimento em algo que eu ainda não entendi o que é.

E eu não consigo descrever nada neste momento: o que sinto, o que decidi e o que se irá prosseguir.

Por enquanto, tomo a rápida decisão de me esconder e esperar que essa tristeza suma, para que então eu possa dar continuidade a certas ilusões.