domingo, 21 de setembro de 2014

Livre

Algo que livre minha alma
Do arrepio mais profundo
Que me liberte do mundo
Que devolva minha calma

Que dance tango no escuro
Ou algo que apenas dance
Que me faça ter a chance
De demolir mais um muro

Busco o que não posso ter
Nas sensações mais profanas
Pra que um dia eu possa ser

Mais uma dessas ciganas
Errantes e talvez crer
Nas liberdades mundanas

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Azaléias

Lembra daquelas flores na minha janela? As azaléias sempre foram minhas favoritas; você chegava e eu dizia "olha como elas estão bonitas". Era um pezinho antigo, foi a primeira plantinha que cuidei com muita dedicação.

O pezinho secou. Não dá mais flores.
Acho que as azaléias acabaram... Estou tão triste.

Acabaram como nós. Nunca é fácil dizer "adeus", principalmente quando é um "adeus" definitivo.
Nós florescemos; mostramos que podíamos oferecer belas azaléias ao mundo. E secamos... Somos apenas galhos. Galhos tristes, frios. Que saudades daquelas flores...

Mas o pobre pezinho de azaléias não tem culpa. Ele nasceu, floresceu e se foi. A vida, basicamente, é sobre isso.

E, uma hora, alguém vai plantar uma nova mudinha naquele vaso onde as mais belas azaléias deram um grande espetáculo.

Mas não significa que elas serão esquecidas - ou até mesmo superadas. Nenhuma flor jamais será tão bela...

Sou um vaso feio e sem terra fértil que pudesse te manter vivo, meu pezinho.

Então, eu guardei suas raízes.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Cinco minutos

Faria da saudade
chuva fria
Do seu calor
uma coberta
Da descoberta
um grande amor

Faria da palavra rude
um abraço ou três
Do "tem cinco minutos?"
uma noite inteira
Da última vez
uma sempre primeira